Arquivo para a categoria 'gêmeos'

11
fev
10

Dias de trovão

Declara o vilão, lá pelo finalzinho do filme:

“Do you know what the scariest thing is? To not know your place in this world, to not know why you’re here.”

["Sabe qual é a coisa mais assustadora? Não saber qual o seu lugar neste mundo, não saber por que você está aqui."]

O que eu posso dizer? Ele está quase certo: a falta de um objetivo específico para a vida traz mesmo momentos de perplexidade que nem os genéricos (ainda que verdadeiros) “viva uma vida virtuosa” ou “seja santo” conseguem eliminar completamente.

Aos que vislumbraram claramente um sentido e descobriram seus lugares, só posso dizer: “façam por merecer”.

Aos que escavam as paredes de  seus corações e das suas almas com martelos e picaretas em busca de um desejo para o futuro: “A cada dia basta seu cuidado” ou “continue caminhando, pois talvez objetivo seja como amor ou cocô de pombo: quando você menos espera…”

[feliz aniversário, Srta. Violeta]

24
dez
09

Deixe o Menino entrar…

Hoje é A Véspera…

Nessa época, os cristãos de todo o mundo esperam para celebrar o nascimento de seu Deus; alguns não-cristãos, por influência – às vezes, inconsciente – dos primeiros, celebram os bons sentimentos que “se espalham pelo ar”.

É um evento sempre desafiador… fazer uma dura (ainda que imperfeita) limpeza na casa (purgação) para abrir espaço para o Menino nascer.

Ele não precisa de um palácio etéreo e asséptico, afinal, decidiu nascer numa manjedoura suja e pobre, cercado por animais e marginais, quando se fez homem.

Miremos agora os corações dos homens: muitas vezes se encontram sujos, pobres e cheios de animais (que são as paixões desordenadas) … como uma manjedoura!

Não precisamos ser perfeitos para recebê-Lo… tudo o que precisamos fazer é abrir espaço. E deixar o Menino agir depois que nascer.

Feliz Aniversário, Deus!

Feliz Natal, pessoal!

11
jan
09

Era uma vez dois meio gêmeos…

Hoje, completa-se exatamente um ano que meu irmão e eu nos separamos.

Ele levou o aparelho de som. E eu fiquei com os CDs.

Na época em que escrevi o último post, ainda se iam completar 2 meses desde que nos havíamos separado. Eu ainda estava me habituando a comprar comida só para um e acho que ele ainda estava sem internet em casa. E eu estava prestes a me mudar para a república onde habito agora (a gloriosa República dos Cachorros Magros).

E eu ainda tinha que responder quase diariamente às perguntas: “Como está a vida morando longe do seu irmão?” ou “Vocês vão se acostumar a morar longe um do outro?

Eu sempre respondia, respectivamente, algo como: “Ainda estou me acostumando a comprar comida só para um.” e “Sim, afinal, somos gêmeos, mas não siameses. E eu ligo para casa sempre.

Hoje, já me habituei a comprar comida só para um. E meu irmão tem internet em casa, de modo que conversamos, via Skype, mais de uma vez por semana (às vezes, conversas de mais de uma hora de duração).

Nossos caminhos continuam divergindo, e assim continuarão, em certos aspectos, até o fim da vida.

Depois de um ano, a maior parte das pessoas já começou a perceber que somos dois indivíduos, não dois meio gêmeos.

Feliz aniversário de individualidade pública, Roger!

AVISO AOS LEITORES: Como a proposta inicial do blog não foi em frente, tomarei oficialmente o blog só para mim, transferirei meu Cronicamentexponencial para cá  e tentarei ressuscitar minha curtíssima vida de blogueiro, mas manterei o nome Meio Gêmeos (ou seja: agora o Meio Gêmeos trata somente do que me vier à cabeça).

11
fev
08

Um mês como ordinário completo

Hoje, completa-se um mês que meu irmão foi embora (não se preocupem, não vou ficar choramingando uma contagem mensal).

Quero aproveitar o aniversário de uma florzinha roxa, grande amiga minha (mas não tão próxima de meu irmão), para falar sobre uma das complicações em se ter um irmão gêmeo: ser cumprimentado por estranhos!

-Caminhando tranqüilamente pela rua, ou pelos corredores do ambiente de estudos/trabalho, você, de repente, nota uma pessoa vindo na sua direção e olhando indisfarçadamente para você. Mas você não a reconhece! E vem a dúvida: por que essa pessoa está olhando para mim?

  • Será que estou sujo/mal vestido hoje?
  • Será que me vesti bem demais hoje?
  • Será que essa pessoa do sexo oposto está flertando comigo? (“até que é bonitinha…“)
  • Será que essa pessoa do mesmo sexo está flertando comigo? (“Aiai.. espero que não, espero que não…”)

Quando a pessoa se aproxima, geralmente já dá para descartar as hipóteses acima só pela postura. Mas a pessoa começa a andar um pouco mais devagar quando chega perto e se dirige a você com um “Tudo bem?” ou “E aí… beleza?” sem lhe chamar de coisa alguma.

  • Essa pessoa me conhece! Mas eu não consigo me lembrar dela! Será que a conheci numa festa enquanto estava bêbado? [ok, quem nos conhece notará que esse último trecho foi só para deixar o texto mais interessante para os demais...].

Você tenta se lembrar mas não consegue. Geralmente, basta responder um “Tudo bem, e você?” ou “Beleza!” e/ou acenar com a cabeça e cada um segue seu caminho sem trocar mais palavras.

Ah! Mas a curiosidade é cruel: “Quem era aquela pessoa?” – Paciência… o momento já passou. Talvez a memória ajude depois.

Com gêmeos, é a mesma coisa. Mas a freqüência de ocorrência desses eventos pode ser muito maior!

Quando estávamos na graduação e ainda fazíamos as mesmas disciplinas, nós dois conhecíamos as mesmas pessoas, então não havia grande ocorrência de encontros com pseudo-conhecidos. Porém, quando começamos a fazer umas disciplinas separados, as indagações diante dos encontros aleatórios com olhares indisfarçados eram as seguintes:

  • Será que estou sujo/mal vestido hoje?
  • Será que me vesti bem demais hoje?
  • Será que essa pessoa do sexo oposto está flertando comigo? (“até que é bonitinha…“)
  • Será que essa pessoa do sexo oposto conhece meu irmão e está flertando com ele na minha pessoa? (“até que é bonitinha… será que meu irmão não quer me apresentá-la? “)
  • Será que essa pessoa do mesmo sexo está flertando comigo? (“Aiai.. não é comigo, não é comigo… tomara que também não seja com meu irmão…”).

Depois do breve encontro (que você terminou respondendo com uma mistura esquisita de desconfiança e civilidade), cada um segue seu caminho normalmente, se não tiver sido travada uma conversa ou se não se tiver mencionado nome algum.

Ah… e a cruel curiosidade? “Quem era aquela pessoa?” – “Ah… deve conhecer meu irmão!” E você continua seu dia sem uma dúvida crucial que poderia ter mantido sua mente ocupada por horas e horas e atrapalhado sua eficiência no trabalho (ou ajudado a passar as horas de tédio e ócio…).

Talvez no futuro eu (ou meu irmão) aprofunde um pouco mais o tema da relação entre um gêmeo e os amigos do outro que não são tão amigos dele.

Desvantagem 1 : Falta de assunto para conversar

Um dos grandes problemas em se ter um irmão gêmeo muito parecido psicologicamente com você e que tenha os mesmos gostos, assista os mesmos programas, conheça as mesmas pessoas e tenha praticamente o mesmo passado é a enfadonha falta de assunto para conversar: até o vil ato de reclamar da vida é enfadonho, pois as queixas são praticamente as mesmas.

-Que droga de prova fiz hoje… o professor Beltrano cobrou isso e aquilo…

-Eu sei. Também fiz a prova.

ou

-Hoje, aconteceu uma coisa engraçada na aula de pular amarelinha: o Jão [e o outro corta:]

-Hehehe… eu vi! Eu também estava lá!

E assim seguem longas seqüências de conversas formadas por meias-frases [falaremos sobre a "Telepatia dos gêmeos num outro post". Talvez].

As maiores mudanças acontecem dentro de cada um. Mas nem sempre se deseja (ou se pode) abrir o coração… nem mesmo para o irmão gêmeo (às vezes, muito menos para ele). Mas isso é tema para um outro post.

Uma coisa é certa: agora, a gente terá muito mais assuntos para conversar. E muito menos tempo. C’est la vie…

17
jan
08

It’s the end of the world as we know it…

[Ou: é o fim do mundo como nós o conhecemos]

Depois de 26 anos e 1,5mês (sem contar os 7 anteriores a tudo isso), finalmente tenho a certeza (no limite da certeza que alguém pode ter sobre alguma coisa) de que não voltarei a encontrar meu irmão em menos de 30 dias. Ele foi embora.

Uma hora isso teríamos que nos separar, afinal, somos “apenas” gêmeos, não gêmeos siameses. E talvez este evento divisor de eras águas de gêmeos tenha até demorado demais para acontecer (mas, felizmente, não o suficiente para alguém fazer uma comparação entre nós e as cunhadas de Homer Simpson – a propósito: como é que aquele desenho pode fazer tanto sucesso? É até engraçadinho de vez em quando, mas… opa! Não é sobre isso que eu queria escrever!).

Voltando ao tema: não posso negar que esta será uma grande mudança. Mas não faz mal: será uma mudança moralmente neutra – e toda mudança moralmente neutra é uma mudança potencialmente boa.

Em algum momento, eu poderia escrever duas listas: uma com as vantagens e a outra, com as desvantagens de se ter um irmão gêmeo muito parecido e com quem sempre se andou. Ao invés disso, farei o seguinte: em cada um dos meus posts, tentarei escrever alguma coisa sobre uma vantagem (não haverá ordenação alfabética ou de importância). As desvantagens, deixarei para Roger escrever, se ele concordar (se ele estivesse aqui, seria mais fácil para combinar a dinâmica do blog…). Se esse blog continuar se desenvolvendo, ao longo dos tempos vindouros vocês, leitores pacientes, descobrirão o que sempre tiveram vontade de perguntar (para maltratar a paciência dos gêmeos) e nunca tiveram vergonha/escrúpulos/bom senso de perguntar (mas que nem sempre respondíamos).

Vantagem 1: o “Carisma dos Gêmeos”

Uma das maiores vantagens em se ter um irmão gêmeo é que as pessoas, em geral, simpatizam instantaneamente com gêmeos, mesmo que eles não sejam simpáticos individualmente.

É como se as pessoas vissem os gêmeos como seres de outras galáxias sempre prontos a dizer “Nós viemos em paz!” ao invés de “Leve-me ao seu líder, ou sofra as conseqüências!“.

Ou como se enxergassem nas duas (ou, eventualmente, mais) figuras o resquício de um desejo antigo que talvez tenha passado por suas cabeças durante um ou dois minutos de suas vidas: “Ah, eu também queria ter um irmão gêmeo…”, ou “Meu sonho era ter filhos gêmeos…”, ou ainda “Eu queria ter namorados gêmeos…” (felizmente, nunca ouvimos essa última frase… teria sido constrangedor e potencialmente escandaloso) .

Às vezes, parece mesmo é que os gêmeos fazem parte do mesmo universo das criaturas “bonitinhas” como a Hello Kitty, os Teletubbies, os ursinhos de pelúcia e as criancinhas de 4 meses de idade (“Que bonitinho! Gêmeos!”, “Ah, eu acho gêmeos uma gracinha…” – e notem que isso vale mesmo no caso em que os gêmeos são marmanjos barbados).

Resumindo: o “carisma dos gêmeos” consiste em obter reações mais favoráveis das outras pessoas sem ter que fazer nada além de mostrar a cara (a sua e do seu irmão gêmeo, ou melhor, a minha e a do meu irmão – já que você, leitor, provavelmente não precisou dividir um espaço apertado com ninguém antes de nascer).

Agora que meu irmão foi morar a mais de 2 Mm (2000 Km) daqui, cada um de nós terá que sobreviver só com o próprio carisma pessoal.

Estamos perdidos.

“…and I feel fine.”




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