19
Fev
09

Let the right star in

Vi, recentemente, dois filmes com o cliché “garoto encontra garota”: “Stardust – O Mistério da Estrela” e “Let the right one in” (acho que o nome que apareceu num festival brasileiro foi “Deixe ela entrar”, mas vou me referir ao filme como LTROI).

[CUIDADO! ESTE POST CONTÉM SPOILERS SOBRE OS FILMES]

Em Stardust, Tristan, um rapaz de aldeia de conto de fadas e que não conheceu a mãe, vê uma estrela cair numa terra proibida e promete trazê-la à moça mais bela das redondezas, Victoria, se ela se casar com ele. Em LTROI, um garoto, Oskar, filho de pais separados e constantemente agredido pelos colegas de escola conhece uma garota, Eli, que se muda para seu prédio.

Victoria não dá a mínima atenção ao infeliz Tristan, que parece estar apaixonado só pela aparência dela (ela, por sua vez, parece ter uma personalidade rasa como um pires de café); a estrela que Tristan vai buscar é lindamente antropomórfica e  se chama Yvaine, mas é teimosa e rabugenta e não gosta muito da idéia de ser arrastada como um troféu até a Vila do Muro.

Oskar tem 12 anos, nenhum amigo e vários problemas de agressividade reprimida; Eli tem 12 anos, como Oskar, mas faz muito mais tempo que ela parou nessa idade…

Em Stardust, Tristan tem que passar por maus bocados, pois há várias pessoas interessadas no coração de Yvaine (literalmente) e ele demora até descobrir o que significa o brilho que ela irradia na sua presença (apesar de um pouco extrapolado, acho que o filme me ajudou a entender melhor o que seria o tal “brilho no olhar” que serve como indicador de viabilidade de um relacionamento – embora eu ache que esse indicador é superestimado e pode ser superado por saudável convivência ordinária).

Em LTROI, Eli ensina a Oskar que ele deve bater de volta e mais forte ainda em seus agressores. Apesar de ser, perceptivelmente, uma má influência para o garoto, percebe-se, durante o filme, que ela  faz todo o possível para fazer a relação  funcionar:  aceita um doce que  ele lhe oferece, apesar de saber que vai lhe causar mal e  até mesmo cede à provocação de acompanhar Oskar à casa dele sem que ele lhe convide formalmente, mesmo sabendo que isso lhe causaria hemorragia por todo o corpo – a propósito: eu já disse que Eli é uma vampira?

O fato de Yvaine ser, literalmente, uma estrela e Eli, uma vampira, não tem muita importância para esse post, pois o que me chamou a atenção mesmo foram as dificuldades de relacionamento levantadas pelos filmes.

Tristan estava apaixonado por uma idéia (Victoria), e precisou conhecer uma pessoa real – ainda que a pessoa real fosse uma estrela cadente – para descobrir o que realmente importa num relacionamento. Talvez ele chegasse um dia a descobrir que Victoria também era real, mas acho que os dois estavam interessados em coisas distintas demais para que chegassem a realmente se conhecer.

Oskar, por sua vez, encontrou alguém que parecia amá-lo realmente e se esforçava para fazer o relacionamento funcionar, e ele correspondeu a esse amor, mas… a que custo? Não me parece uma boa idéia prender-se a alguém que nunca vai amadurecer a seu lado: ou você também deixa de amadurecer ou então tenta escapar, para poder crescer…  mas será que aquela que se esforçou tanto para que você a deixasse entrar permitirá que você saia tão facilmente?

E se o pobre Tristan, depois de conhecer Yvaine e se apaixonar por ela, finalmente compreendesse, racionalmente, que seu lugar não era mesmo ao lado de Victoria, mas terminasse descobrindo que Yvaine não queria saber dele? Será que, depois da desilusão ele deixaria qualquer uma entrar? Será que se trancaria no castelo em Stormhold?

Não sei. Mas, se eu pudesse dizer algo a Tristan numa situação dessas, apenas diria: “Ânimo, rapaz! Você é herdeiro da realeza! Há de encontrar alguém que corresponda às suas nobres intenções!”

Hmmm… será que Tristan é realmente tão nobre assim?


1 Resposta para “Let the right star in”


  1. 1 Roger
    19/02/2009 às 11:36

    Ah! Spoiler! (Ainda bem que já assisti aos dois.)

    O duro é que, se o cara ficar desiludido, o filme pode mudar para “Let the dust in”. Aí desiludido tem que aprender a deixar ela sair.


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