Este post poderia tratar da função exponencial, que é assimétrica qualquer que seja o ponto de referência tomado e não se sai muito bem numa festa porque dá no mesmo se integrar ou não [o pessoal da área de exatas há de entender...]
Ou poderia tratar de qualquer outra coisa encontrada na natureza: desde as flores de quaresmeira e as pedras ornamentais até as corujas do ártico e o vizinho do lado (que, diga-se de passagem, ainda não conheci depois de me mudar para a nova república – e talvez nem venha a conhecê-lo).
Ou poderia tratar de irmãos gêmeos.
Mas não faz diferença o exemplo que eu tomar, pois o mundo É assimétrico (e não simétrico nem anti-simétrico). Ponto. [Obviamente, construções teóricas e o aspecto macroscópico de alguns construtos podem ser simétricos - não sou tão cego ou obstinado a ponto de não reconhecê-lo].
E, conforme sugeri no post do dia 07 de fevereiro (embora não o tenha explicitado), as relações humanas também são assimétricas. Acredito que os motivos dessa assimetria são muito simples:
- Pessoas são diferentes;
- Pessoas conhecem outras pessoas além de você;
- Pessoas têm histórias distintas;
- Etc.
É óbvio, portanto, que não podemos exigir dos outros o mesmo que lhes damos. Na verdade, numa relação qualquer, só podemos exigir dos outros o mínimo necessário para que, de fato, exista uma relação;
Mesmo a relação existente entre um baleeiro esquimó e um guarda de fronteira da Coréia do Norte é assimétrica: quem sabe que tipo de postura cada um tem em relação ao resto do mundo? Talvez um deles evite jogar lixo no chão achando que, com isso, vai ajudar a diminuir o tão falado efeito estufa [cujos efeitos não serão alvo de discussão nesse blog] e, assim, impedir o derretimento do Ártico.
Será que o esquimó faria alguma coisa pelo guarda norte-coreano? E o contrário, ocorreria? E você, faria algo por algum dos dois? Em troca de que?
Agora, levando a assimetria ao nível metafísico (admito que meu conhecimento teológico é apenas o bastante para me acusarem de praticar teologia de bar):
E para Deus, você faria alguma coisa? Isso faria alguma diferença para Ele?
Acho que a resposta para a segunda questão é não, e a razão é simples: a relação entre Deus e o homem é plenamente assimétrica. Explico (ou tento):
- Deus é infinito (isso é uma simplificação dos atributos divinos);
- O homem é finito;
- Todos os dons que temos, e que também são finitos, vieram de Deus;
- Logo, o que temos para oferecer a Deus já pertence a Ele.
- Então Ele não precisa de nós!
Devemos, portanto, ignorar a Deus porque Ele não precisa de nós? Acho que não, pois Ele quis nos criar mesmo sem precisar. Para que pudéssemos participar de seu Amor.
Creio que a chave para aceitar as assimetrias está justamente no Amor. Como imagem e semelhança, também somos chamados a esbanjar prodigamente o Amor nas nossas retas relações, mesmo que não sejamos correspondidos.
Mas será que somos capazes de amar sem esperar nada em troca? Embora imagem e semelhança, nossa generosidade não é infinita e uma hora terminaremos por nos perguntar “O que estou ganhando com isso?”.
Às vezes, os ganhos não são imediatamente perceptíveis e parecem meio enterrados por uma camada de desilusão. Mas estão lá: na forma de virtude ou de aprendizado.
Que tal procurar uma pá?
0 Respostas para “Assimetrias”