07
Fev
09

Love will tear us apart

Volto a postar com a última frase do post “Uma semana em São Paulo com Gustavo Corção”

“A luz da Caridade opera uma separação; põe-nos diante do outro. Separa-nos para nos livrar da insuportável solidão.”

Essa frase me levou a pensar um pouco no que consiste reconhecer em cada pessoa um outro (ou próximo). Lá vão as breves considerações:

1. Será que descobrir o outro consiste em simplesmente respeitar o espaço de cada um?

Parece-me razoável supor que parar de tratar os demais como uma extensão de nós mesmos é um passo fundamental para chegar ao outro: todo o mundo quer ser ouvido quando fala alguma coisa, por mais boba que pareça (ou por mais boba que seja mesmo) – o problema é que ouvir implica prestar atenção ao que o outro diz e estabelecer com ele um diálogo ao invés do acordo tácito em estabelecer dois monólogos que tanto ocorre nos dias de hoje (e talvez nos dias de ontem também) [Nota: essa idéia foi tomada de uma pessoa bem mais sábia que eu, mas não me lembro mais quem foi que disse].

Talvez respeitar o espaço do outro consista em deixá-lo em paz, lá no canto dele… em alguns casos, é isso mesmo! Mas… e se o outro visivelmente precisar de algum tipo de auxílio e, por algum motivo (que pode ir do orgulho à sua irmã, a vergonha), não conseguir pedir?

2. Descobrir o outro seria o mesmo que desejar seu crescimento e fazer o possível para ajudá-lo?

Mais uma suposição que me parece razoável: se eu ajudo o outro, estou sendo seu próximo! (ou o tornando o meu próximo). O problema em ajudar o outro é que ele nem sempre retribui com o reconhecimento. Muitas vezes, o outro nem perceberá que foi ajudado, ou pior: reconhecerá que foi ajudado, mas dirá, na hora de uma desavença qualquer, que “não pediu ajuda de ninguém e que podia ter saído sozinho daquele poço de areia movediça!”… Nessas horas, deve doer um bocado ver essa criatura ingrata se voltar contra aquele que a ajudou a se tornar melhor.

Talvez uma boa intenção não seja o suficiente para poder dar uma ajuda sincera – pelo menos não sem a disposição necessária para ajudar sem esperar nada em troca.

3. Será que sacrificar-se pelo outro é o caminho de sua descoberta?

Hmmmm… qual a diferença entre ajudar o outro e sacrificar-se por ele? Segundo eu mesmo, neste ponto em particular, a ajuda implica dívida, mesmo que subentendida, pois a disposição interior do que ajuda é a de se lembrar que fez algo pelo outro. Daí surgem pensamentos do tipo “Ah… eu fiz tanto por fulano! Será que ele não reconhece?“. Acho que já sabemos onde esse tipo de postura leva as pessoas…

Em minha opinião (e é disto que se trata esse blog), o sacrifício seria o quilômetro a mais que se anda com o outro quando este só lhe pede um. Nesse caso, o próprio indivíduo que ajuda já pagaria a dívida da ajuda a si mesmo. Mas pagar como? Com o que? E onde fica a justiça?

Talvez a resposta seja o Amor.

E o Luís escreveu sobre isso um dia desses.

(por falar nisso: Feliz Aniversário, Luís!)


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