Este é o último post do Meio Gêmeos mantendo a proposta antiga e, aqui, quero tratar especificamente de um tema bastante relacionado a famílias (ou parcelas delas) muito unidas: a auto-suficiência.
Irmãos bem próximos, que cresceram muito unidos (de modo particular os gêmeos) podem tender a se tornar algo similar a uma sociedade auto-suficiente.
Enquanto morando juntos, sempre têm à disposição alguém com quem brincar, estudar, desabafar, ir ao cinema, reclamar desinteressadamente, brigar sem maiores conseqüências…
Um membro dessa sociedade (fundada em valores comuns) ajuda o outro a enfrentar as dificuldades do dia a dia e a resistir às influências externas que possam causar uma perturbação no conjunto de valores comuns. Cada membro funciona para o outro como uma bússola que aponta um referencial comum ou uma âncora que impede que as fortes correntezas deixem o outro à deriva. A sociedade auto-suficiente é uma fortaleza de uma reserva moral e cultural.
Mas devo repetir que a sociedade auto-suficiente é uma fortaleza de uma reserva moral e cultural bem específicas, de modo que a resistência a perturbaçòes se aplica a todas as situações: resiste-se ao vício, sim!; mas também se pode resistir à virtude, se esta não for desejada por todos os membros da sociedade.
E resiste-se a abrir os portões da fortaleza. Ninguém entra. Ninguém sai. (até parece a máfia, mas sem crime).
E os membros da sociedade terminam se esquecendo que a auto-suficiência é relativa. E deixam de treinar habilidades de sobrevivência no mundo externo, como empreender uma conversa interessante (pois não sabem o que é interessante fora dos limites da sociedade) ou fazer amigos (pois a sociedade até acolhe alguns, mas não percebe o quanto eles são necessários).
Mas essas sociedades terminam se desmanchando. E os membros terminam precisando aprender a se relacionar com membros estranhos ao seu habitat natural.
E terminam aprendendo. De um jeito ou de outro.
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