11
Fev
08

Um mês como ordinário completo

Hoje, completa-se um mês que meu irmão foi embora (não se preocupem, não vou ficar choramingando uma contagem mensal).

Quero aproveitar o aniversário de uma florzinha roxa, grande amiga minha (mas não tão próxima de meu irmão), para falar sobre uma das complicações em se ter um irmão gêmeo: ser cumprimentado por estranhos!

-Caminhando tranqüilamente pela rua, ou pelos corredores do ambiente de estudos/trabalho, você, de repente, nota uma pessoa vindo na sua direção e olhando indisfarçadamente para você. Mas você não a reconhece! E vem a dúvida: por que essa pessoa está olhando para mim?

  • Será que estou sujo/mal vestido hoje?
  • Será que me vesti bem demais hoje?
  • Será que essa pessoa do sexo oposto está flertando comigo? (“até que é bonitinha…“)
  • Será que essa pessoa do mesmo sexo está flertando comigo? (“Aiai.. espero que não, espero que não…”)

Quando a pessoa se aproxima, geralmente já dá para descartar as hipóteses acima só pela postura. Mas a pessoa começa a andar um pouco mais devagar quando chega perto e se dirige a você com um “Tudo bem?” ou “E aí… beleza?” sem lhe chamar de coisa alguma.

  • Essa pessoa me conhece! Mas eu não consigo me lembrar dela! Será que a conheci numa festa enquanto estava bêbado? [ok, quem nos conhece notará que esse último trecho foi só para deixar o texto mais interessante para os demais...].

Você tenta se lembrar mas não consegue. Geralmente, basta responder um “Tudo bem, e você?” ou “Beleza!” e/ou acenar com a cabeça e cada um segue seu caminho sem trocar mais palavras.

Ah! Mas a curiosidade é cruel: “Quem era aquela pessoa?” – Paciência… o momento já passou. Talvez a memória ajude depois.

Com gêmeos, é a mesma coisa. Mas a freqüência de ocorrência desses eventos pode ser muito maior!

Quando estávamos na graduação e ainda fazíamos as mesmas disciplinas, nós dois conhecíamos as mesmas pessoas, então não havia grande ocorrência de encontros com pseudo-conhecidos. Porém, quando começamos a fazer umas disciplinas separados, as indagações diante dos encontros aleatórios com olhares indisfarçados eram as seguintes:

  • Será que estou sujo/mal vestido hoje?
  • Será que me vesti bem demais hoje?
  • Será que essa pessoa do sexo oposto está flertando comigo? (“até que é bonitinha…“)
  • Será que essa pessoa do sexo oposto conhece meu irmão e está flertando com ele na minha pessoa? (“até que é bonitinha… será que meu irmão não quer me apresentá-la? “)
  • Será que essa pessoa do mesmo sexo está flertando comigo? (“Aiai.. não é comigo, não é comigo… tomara que também não seja com meu irmão…”).

Depois do breve encontro (que você terminou respondendo com uma mistura esquisita de desconfiança e civilidade), cada um segue seu caminho normalmente, se não tiver sido travada uma conversa ou se não se tiver mencionado nome algum.

Ah… e a cruel curiosidade? “Quem era aquela pessoa?” – “Ah… deve conhecer meu irmão!” E você continua seu dia sem uma dúvida crucial que poderia ter mantido sua mente ocupada por horas e horas e atrapalhado sua eficiência no trabalho (ou ajudado a passar as horas de tédio e ócio…).

Talvez no futuro eu (ou meu irmão) aprofunde um pouco mais o tema da relação entre um gêmeo e os amigos do outro que não são tão amigos dele.

Desvantagem 1 : Falta de assunto para conversar

Um dos grandes problemas em se ter um irmão gêmeo muito parecido psicologicamente com você e que tenha os mesmos gostos, assista os mesmos programas, conheça as mesmas pessoas e tenha praticamente o mesmo passado é a enfadonha falta de assunto para conversar: até o vil ato de reclamar da vida é enfadonho, pois as queixas são praticamente as mesmas.

-Que droga de prova fiz hoje… o professor Beltrano cobrou isso e aquilo…

-Eu sei. Também fiz a prova.

ou

-Hoje, aconteceu uma coisa engraçada na aula de pular amarelinha: o Jão [e o outro corta:]

-Hehehe… eu vi! Eu também estava lá!

E assim seguem longas seqüências de conversas formadas por meias-frases [falaremos sobre a "Telepatia dos gêmeos num outro post". Talvez].

As maiores mudanças acontecem dentro de cada um. Mas nem sempre se deseja (ou se pode) abrir o coração… nem mesmo para o irmão gêmeo (às vezes, muito menos para ele). Mas isso é tema para um outro post.

Uma coisa é certa: agora, a gente terá muito mais assuntos para conversar. E muito menos tempo. C’est la vie…


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