Arquivo para Janeiro, 2008

17
Jan
08

It’s the end of the world as we know it…

[Ou: é o fim do mundo como nós o conhecemos]

Depois de 26 anos e 1,5mês (sem contar os 7 anteriores a tudo isso), finalmente tenho a certeza (no limite da certeza que alguém pode ter sobre alguma coisa) de que não voltarei a encontrar meu irmão em menos de 30 dias. Ele foi embora.

Uma hora isso teríamos que nos separar, afinal, somos “apenas” gêmeos, não gêmeos siameses. E talvez este evento divisor de eras águas de gêmeos tenha até demorado demais para acontecer (mas, felizmente, não o suficiente para alguém fazer uma comparação entre nós e as cunhadas de Homer Simpson – a propósito: como é que aquele desenho pode fazer tanto sucesso? É até engraçadinho de vez em quando, mas… opa! Não é sobre isso que eu queria escrever!).

Voltando ao tema: não posso negar que esta será uma grande mudança. Mas não faz mal: será uma mudança moralmente neutra – e toda mudança moralmente neutra é uma mudança potencialmente boa.

Em algum momento, eu poderia escrever duas listas: uma com as vantagens e a outra, com as desvantagens de se ter um irmão gêmeo muito parecido e com quem sempre se andou. Ao invés disso, farei o seguinte: em cada um dos meus posts, tentarei escrever alguma coisa sobre uma vantagem (não haverá ordenação alfabética ou de importância). As desvantagens, deixarei para Roger escrever, se ele concordar (se ele estivesse aqui, seria mais fácil para combinar a dinâmica do blog…). Se esse blog continuar se desenvolvendo, ao longo dos tempos vindouros vocês, leitores pacientes, descobrirão o que sempre tiveram vontade de perguntar (para maltratar a paciência dos gêmeos) e nunca tiveram vergonha/escrúpulos/bom senso de perguntar (mas que nem sempre respondíamos).

Vantagem 1: o “Carisma dos Gêmeos”

Uma das maiores vantagens em se ter um irmão gêmeo é que as pessoas, em geral, simpatizam instantaneamente com gêmeos, mesmo que eles não sejam simpáticos individualmente.

É como se as pessoas vissem os gêmeos como seres de outras galáxias sempre prontos a dizer “Nós viemos em paz!” ao invés de “Leve-me ao seu líder, ou sofra as conseqüências!“.

Ou como se enxergassem nas duas (ou, eventualmente, mais) figuras o resquício de um desejo antigo que talvez tenha passado por suas cabeças durante um ou dois minutos de suas vidas: “Ah, eu também queria ter um irmão gêmeo…”, ou “Meu sonho era ter filhos gêmeos…”, ou ainda “Eu queria ter namorados gêmeos…” (felizmente, nunca ouvimos essa última frase… teria sido constrangedor e potencialmente escandaloso) .

Às vezes, parece mesmo é que os gêmeos fazem parte do mesmo universo das criaturas “bonitinhas” como a Hello Kitty, os Teletubbies, os ursinhos de pelúcia e as criancinhas de 4 meses de idade (“Que bonitinho! Gêmeos!”, “Ah, eu acho gêmeos uma gracinha…” – e notem que isso vale mesmo no caso em que os gêmeos são marmanjos barbados).

Resumindo: o “carisma dos gêmeos” consiste em obter reações mais favoráveis das outras pessoas sem ter que fazer nada além de mostrar a cara (a sua e do seu irmão gêmeo, ou melhor, a minha e a do meu irmão – já que você, leitor, provavelmente não precisou dividir um espaço apertado com ninguém antes de nascer).

Agora que meu irmão foi morar a mais de 2 Mm (2000 Km) daqui, cada um de nós terá que sobreviver só com o próprio carisma pessoal.

Estamos perdidos.

“…and I feel fine.”